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37 espécies encontradas

Acanthaceae

A família Acanthaceae pertence à ordem Lamiales e reúne principalmente ervas e arbustos, com algumas trepadeiras e raras espécies arbóreas. Suas folhas são geralmente opostas, simples e sem estípulas, muitas vezes apresentando cistolitos — cristais de cálcio característicos que auxiliam na identificação microscópica. As flores costumam ser zigomorfas, com corola tubular e estames em número reduzido (dois ou quatro). As inflorescências são variadas e podem apresentar brácteas vistosas. O fruto típico é uma cápsula que se abre de forma explosiva, lançando as sementes a certa distância por meio de um mecanismo balístico associado ao retináculo, mas há variações, como drupas.

No Brasil, Acanthaceae apresenta grande diversidade, com aproximadamente 40 a 45 gêneros e entre 350 e 400 espécies. A distribuição concentra-se especialmente em ambientes úmidos, como florestas sombrias, matas ciliares e bordas de mata, embora a família também ocorra em fitofisionomias mais secas, como cerrado e caatinga. Gêneros como Justicia, Ruellia, Aphelandra, Stenostephanus e Pachystachys destacam-se pela abundância e pela dificuldade taxonômica em alguns complexos.

A Mata Atlântica representa um dos principais centros de diversidade da família no país, abrigando cerca de 150 a 180 espécies. A maior parte dessas espécies ocorre no sub-bosque de florestas úmidas, frequentemente associadas a encostas sombreadas, matas montanas e regiões com elevada precipitação. A região também concentra muitos táxons endêmicos, especialmente em gêneros como Justicia, Ruellia e Aphelandra, que exibem grande variação morfológica e adaptações a diferentes polinizadores.

Em Santa Catarina, a família é representada por aproximadamente 60 espécies, distribuídas em todas as formações, especialmente abundantes na Floresta Ombrófila Densa, perdendo relevância na Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional e Campos Naturais. Justicia e Ruellia são particularmente diversos no estado. Há espécies exóticas invasoras, como Thunbergia alata, assim como muitas espécies cultivadas como ornamentais, a exemplo de Pachystachys, Sanchezia, Hypoestes e Thunbergia que eventualmente também podem ocorrer subespontaneamente.

Diversas espécies de Acanthaceae possuem usos conhecidos. Algumas são amplamente cultivadas como ornamentais, como Aphelandra squarrosa, valorizada por suas folhas variegadas, e Pachystachys lutea, conhecida popularmente como camarão-amarelo. No campo medicinal, Justicia pectoralis é utilizada na medicina tradicional como analgésica e anti-inflamatória, enquanto Ruellia tuberosa é empregada como diurética. A família também tem importância ecológica, já que suas flores ricas em néctar são recurso frequente para beija-flores, borboletas e abelhas.

Thunbergia alata, espécie exótica invasora

Há diversas espécies nativas de grande potencial ornamental, tanto para cultivos em canteiros como vasos, especialmente Aphelandra chamissoniana, Justicia carnea, Justicia brasiliana, Ruellia brevifolia e Ruellia elegans, que possuem inflorescências e flores muito coloridas e vistosas e atraem beija-flores, além de serem extremamente rústicas. Outras espécies menores e mais delicadas são excelentes para vasos em apartamentos e interiores, como Chameranthemum venosum, Lepidagathis kameyamana, Pseuderanthemum heterophyllum, Stenandrium tenellum. Além de espécies de Hygrophila, que são utilizadas no paisagismo em pequenos lagos e em aquários plantados.

Justicia carnea, espécie nativa de grande potencial ornamental

LINK PARA A FLORA ILUSTRADA CATARINENSE (ABAIXO)

Flora Ilustrada Catarinense: Wasshausen_Smith-1969-Acantaceas

Gêneros em Santa Catarina

Chave dicotômica para identificação dos gêneros de Acanthaceae em SC

  1. 1. Árvores lenhosas, exclusivas de manguezal Avicennia
  2. 1. Ervas, arbustos ou lianas, nunca árvores 2
  3. 2. Funículo papiliforme ou ausente 3
  4. 3. Ervas eretas Staurogyne
  5. 3. Lianas 4
  6. 4. Fruto drupáceo Mendoncia
  7. 4. Fruto cápsula rostrada Thunbergia
  8. 2. Funículo ganchoso (retináculo) 5
  9. 5. Corola com prefloração convoluta 6
  10. 6. Corola profundamente partida, mais de 2/3 do comprimento, Hygrophila
  11. 6. Corola partida cerca de 1/2 do comprimento 7
  12. 7. Corola campanulada, tecas das anteras mucronadas na base Dyschoriste
  13. 7. Corola tubulosa ou hiprocateriforme, tecas das anteras arredondadas na base 8
  14. 8. Estames anteriores com anteras monotecas, estames posteriores com anteras bitecas Chamaeranthemum
  15. 8. Todos os estames com anteras bitecas Ruellia
  16. 5. Corola com prefloração imbricada 9
  17. 9. Estames 4, anteras com uma teca fértil 10
  18. 10. Estames exsertos (exceto A. longiflora, onde são subinclusos); tecas desiguais Aphelandra
  19. 10. Estames inclusos, com tecas subiguais Stenandrium
  20. 9. Estames 2, anteras com 2 tecas férteis 11
  21. 11. Estaminódios presentes Pseuderanthemum
  22. 11. Estaminódios ausentes 12
  23. 12. Caules hexangulares; cálice subtendido por 2 brácteas parcialmente fusionadas Dicliptera
  24. 12. Caules teretes ou tetrangulares; brácteas nunca fundidas Justicia

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