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Xanthium orientale

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Xanthium orientale L.

Protólogo: Linnaeus, C. 1763. Species Plantarum. Editio secunda, Volumen II, p. 1400. Holmiae (Stockholm): Laurentius Salvius.

Sinônimos:

heterotípicos: POWO

Descrição

Arbusto com cerca de 0,5 m de altura; ramos de seção cilíndrica, longitudinalmente estriados, com indumento estrigoso. Folhas pecioladas, com pecíolos medindo de 2,2 a 7,4 cm de comprimento; lâmina entre 3–10 cm de comprimento por 1,9–9,1 cm de largura, de consistência cartácea, nitidamente discolor, com formato ovado a amplamente ovado, inteira ou apresentando de três a cinco lobos, ápice agudo, margens denteadas, base cordada a gradualmente atenuada, superfície estrigosa em ambas as faces. Capítulos masculinos isolados, dispostos ao longo da espiga, medindo aproximadamente 2 × 4 mm; invólucro campanulado; brácteas involucrais com cerca de 1,5 × 0,5 mm, lanceoladas, de ápice agudo e margens inteiras, verdes e pubescentes; páleas medindo de 1,2 a 1,5 mm de comprimento por cerca de 0,5 mm de largura, estreito-oblongas, com ápice truncado, margens inteiras e ciliadas, de coloração hialina. Flores em número aproximado de 15 por capítulo, com 2–2,1 mm de comprimento; ovário pouco evidente; anteras com cerca de 1 mm de comprimento, de coloração cinérea; apêndice do conectivo curto, cerca de 0,1 mm, ovado, de ápice agudo e coloração cinérea; apêndice basal sagitado; filetes amarelos. Capítulos femininos com duas flores, agrupados na porção basal da espiga; invólucro medindo de 1,3–1,8 cm de comprimento por 0,9–1,2 cm de largura, elipsoide, provido de ganchos, hirsuto, verde, tornando-se castanho na maturidade, com glândulas evidentes; estilete com cerca de 2 mm de comprimento, castanho, com ramos estilares de aproximadamente 1,5 mm e ápice obtuso. Cipselas medindo de 9 a 12 mm de comprimento, estreito-elipsoides e glabras. (Baseada em Alves et al. 2026)

Etimologia

Xanthium:

Vem do grego ξανθός (xanthós), que significa “amarelo”, “dourado” ou “amarelado”. Provavelmente devido as tinturas de cabelo que eram feitas com os frutos, uma vez que há indícios do uso dos frutos de Xanthium como corante capilar já era conhecido na Antiguidade (Dioscórides, séc. I d.C., apud Tournefort 1700, apud Love & Dansereau 1959).

orientale

Vem do latim oriens, orientis, que significa “leste”, “nascente”, “oriente”, denotando um origem do oriente para essa espécie.

Habitat

No Brasil pode ser encontrada em diversos habitats associados a distúrbios antrópicos, como bordas de estradas, áreas agrícolas e ambientes em regeneração inicial.

Distribuição

Embora sua origem exata seja debatida, atualmente é aceito de que a espécie seja nativa das Américas e presente em praticamente todos os continentes (Löve and Dansereau, 1959; McMillan, 1971, Tomasello 2018).

Ecologia

Já foi observado (Nadeau, dados não publicadosa) apud Löve and Dansereau (1959) que a disposição das flores em Xanthium favorece a autofecundação. As flores masculinas desenvolvem-se no ápice do eixo principal ou nos ramos, acima das flores femininas. Elas começam a liberar pólen a partir dos estames mais externos do capítulo um ou dois dias antes de os estigmas estarem receptivos, e continuam abrindo as anteras em direção ao centro do capítulo até que todas as flores femininas estejam maduras. O menor movimento da planta ou uma rajada de vento faz com que o pólen caia diretamente sobre os estigmas expostos das flores femininas imediatamente abaixo. Assim, o pólen da própria planta é o mais provável responsável pela fecundação das flores femininas, e apenas eventos ocasionais — como ventos fortes, crescimento denso ou situações semelhantes — promovem a fecundação cruzada. Dessa forma, em Xanthium, a autofecundação parece ser a regra, enquanto a alogamia ocorre apenas de maneira esporádica (Löve and Dansereau 1959, Solomon 1989).

A dispersão, por sua vez é bastante evidenciada pelas adaptações dos capítulos femininos, repletos de ganchos cobrindo a superfície, capazes de aderir ao pelo de animais, dessa forma sua síndrome de dispersão é predominantemente epizoocórica.

Usos

Xanthium strumarium L. s.l. é uma espécie amplamente citada na literatura etnobotânica e médico-histórica, especialmente na Eurásia e no Leste Asiático, embora seu uso seja limitado pela toxicidade conhecida da planta. Na medicina tradicional chinesa, os frutos, conhecidos como Cang Er Zi, são empregados no tratamento de rinite, sinusite, cefaleias e dores reumáticas, após processamento destinado à redução da toxicidade, conforme descrito em compêndios clássicos e floras regionais (Wu et al. 2011). Na tradição europeia, a espécie já era conhecida desde a Antiguidade, com registros de uso medicinal e cosmético, incluindo a utilização dos frutos como corante capilar, conforme descrito por Dioscórides (De Materia Medica), informação preservada em obras botânicas modernas por meio de citações indiretas (Dioscórides, séc. I d.C., apud Tournefort 1700; Love & Dansereau 1959).

⚠️ A espécie contém compostos tóxicos, incluindo carboxiatractilosídeos, e há numerosos registros de intoxicação em humanos e animais, especialmente associados ao consumo de plântulas ou frutos, fato amplamente documentado na literatura veterinária e toxicológica (Marsh et al. 1923; Watt & Breyer-Brandwijk 1962; Burrows & Tyrl 2013).

Malezas

A espécie é frequentemente referida como erva daninha, por ocupar ambientes ruderais. Além disso, a planta é referenciada por causar problemas a animais de criação, como a formação de abscessos na boca, irritação e obstrução da garganta e do sistema digestório, lesões na garganta e no aparelho digestivo, além de mortes em bovinos e suínos, provavelmente são consequências do contato dos animais com os frutos. Posteriormente, tornou-se evidente que a planta como um todo, e não apenas os frutos, pode ser particularmente tóxica, especialmente durante a fase de plântula. Ela é encontrada principalmente na primavera e início do verão, quando tanto a umidade quanto as temperaturas quentes são favoráveis ao crescimento massivo da planta, momento em que intoxicações ocorrem. Suínos e bezerros são os animais mais comumente envolvidos, mas todos os animais parecem ser afetados, incluindo ovinos, cavalos, galinhas e aves selvagens, bem como gado e cabras (Burrows & Tyrl 2013 ).

Embora raras em humanos devido à falta de exposição aos estágios apropriados da planta, intoxicações foram relatadas por 3 adolescentes na China que confundiram a espécie com plantas comestíveis e as consumiram por engano. Todos os três rapazes morreram de 2 a 6 dias após a ingestão, apresentando náusea, vômitos, diarreia ácida, febre e insuficiência renal e hepática. Embora seja improvável que indivíduos consumam quantidade suficiente dos novos estágios de crescimento para causar intoxicação, essas plantas jovens podem parecer substitutos atraentes para brotos de feijão ou alfafa. (Burrows & Tyrl 2013 ).

Notas

Grande parte da literatura refere-se a Xanthium strumarium em sentido amplo (s.l.), englobando táxons historicamente descritos como X. orientale, X. canadense e afins. Assim, os usos atribuídos a essas “espécies” devem ser interpretados dentro desse complexo taxonômico. As diferenças entre X. strumarium s.s. e X. orientale residem em características principalmente dos capítulos femininos, onde C. strumarium apresenta capítulos femininos glabros e pequenas, raramente ultrapassando 1 cm de comprimento, com poucos espinhos finos e bicos retos e folhas em grande parte cordiformes vs. capítulos femininos glabros ou hirsutas, medindo de 1 a 3 cm de comprimento; densamente recobertas por espinhos (quando não, então as búrsulas são maiores que 1 cm e apresentam espinhos e bicos robustos), com bicos retos ou curvados. Folhas predominantemente cuneadas a ovadas em X. orientale.

Alves, M.; Loureiro, N.; Magenta, M.A.G. Xanthium in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB80772>. Acesso em: 09 jan. 2026

Burrows, G.E. & Tyrl, R.J. 2013. Toxic Plants of North America.

Dioscorides, P. séc. I d.C. De Materia Medica.
[citação indireta em Tournefort 1700].

Löve, D., & Dansereau, P. (1959). Biosystematic studies on Xanthium: taxonomic appraisal and ecological status. Canadian Journal of Botany37(2), 173-208.

Marsh, C.D., Clawson, A.B. & Couch, J.F. 1923. Cocklebur poisoning in livestock. Bulletin 116, U.S. Department of Agriculture.

McMillan, C., 1971. Photoperiod Evidence in the Introduction of Xanthium (Cocklebur) to Australia. Science 171: 1029–1031.

Solomon, B. P. (1989). Size-dependent sex ratios in the monoecious, wind-pollinated annual, Xanthium strumarium. American Midland Naturalist, 209-218.

Tomasello, S. (2018). How many names for a beloved genus?–Coalescent-based species delimitation in Xanthium L.(Ambrosiinae, Asteraceae). Molecular Phylogenetics and Evolution127, 135-145.

Tournefort, J.P. 1700. Institutiones Rei Herbariae. Paris.

Watt, J.M. & Breyer-Brandwijk, M.G. 1962. The Medicinal and Poisonous Plants of Southern and Eastern Africa. 2nd ed. Edinburgh: E. & S. Livingstone.

Wu, Z.Y., Raven, P.H. & Hong, D.Y. (eds.) 2011. Flora of China, Vol. 20–21 (Asteraceae). Beijing & St. Louis: Science Press & Missouri Botanical Garden Press.

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